Alma Apartment redefine o morar diário em Brasília com uma cozinha social
Em Brasília, o Alma Apartment, assinado pelo escritório BLOCO Arquitetos, transforma a rotina doméstica ao unir cozinha e living em um único ambiente com vista para o parque. O projeto revisita o apartamento sem apagar sua essência: as paredes se movem, a estrutura é revelada e a luz natural flui, criando um espaço onde cozinhar, receber e trabalhar se entrelaçam. Logo pela manhã, a luz percorre o piso de porcelanato cinza e pousa na madeira quente do mobiliário. Uma TV baixa, posicionada no chão, libera o campo visual para o parque além das esquadrias, preservando a amplitude e a claridade.
Living e cozinha se fundem para que comida, conversa e paisagem aconteçam ao mesmo tempo. Uma ilha central com cooktop transforma o preparo das refeições em ato social, colocando os moradores no centro da cena enquanto os convidados se aproximam. Com a TV rebaixada, a disposição do mobiliário permite que tudo se volte para a vista externa, mantendo um horizonte limpo e banhado de luz. As intervenções focam em subtração e ajustes precisos. Paredes e portas são reposicionadas para abrir a circulação, sem mexer nas infraestruturas essenciais — uma economia que respeita os ossos do apartamento. Pilares de concreto, antes pintados de grafite, recuperam sua materialidade original e ritmam o espaço entre marcenaria e porcelanato.
O porcelanato cinza existente serve de base neutra para o novo layout. Sobre ele, marcenaria e mobiliário em madeira natural adicionam calor e textura, criando um contraponto tátil à estrutura exposta. A paleta uniforme conecta cozinha e living, reforçando a sensação de continuidade. Atrás do sofá, uma “galeria afetiva” reúne quadros e gravuras colecionados ao longo do tempo. A curadoria se integra ao fluxo cotidiano, transformando a arte em presença viva do espaço social. Os convidados encontram as obras no mesmo ritmo em que os moradores convivem com elas.
Próximo à área social, a primeira das quatro suítes vira home office, equilibrando trabalho e vida doméstica sem isolamento. O banheiro se divide em duas partes conectadas pela área da banheira, criando um uso mais prático sem apertos. Cada decisão mantém o plano eficiente e claro. Ao fim da tarde, a luz aquece concreto e madeira. Nada grita; os materiais sustentam o espaço e o olhar para o Parque Burle Marx permanece aberto. O resultado é uma edição medida da vida cotidiana, afinada com os hábitos da família e o esqueleto original do apartamento.
Fotografia por Júlia Tótoli. Visite BLOCO Arquitetos.















