Moda

Gap e Awake NY resgatam o “Uniforme Democrático” do Queens nos anos 90

Para Angelo Baque, a parceria entre a GAP e a Awake NY transcende o mero exercício comercial; trata-se de um manifesto emocional sobre o “uniforme” que definiu sua identidade no Queens. Antes do acesso ao luxo de marcas como Ralph Lauren ou Polo, a GAP era o primeiro símbolo de status e pertencimento nas escolas públicas de Nova York entre 1988 e 1992 — uma era em que a música e a moda ainda não eram segregadas por nichos, e a pista de dança fundia o house, o hip-hop e o reggae.

A narrativa visual, capturada por HIDJI WORLD, ignora o casting por clout em favor da “família escolhida”. Baque trouxe para o set seu filho, sua esposa e até seus tios — os mesmos que o presenteavam com as icônicas caixas azuis da GAP na infância. Ao lado deles, figuras centrais da cena gastronômica e artística de NY, como Riad Nasr (Frenchette) e Cory Ng (Potluck Club), validam o projeto como um tributo à rede de apoio que mantém a cidade pulsante, desafiando a retórica de que o espírito criativo de Nova York teria morrido.

No campo do design, a coleção é um resgate de desejos não realizados e ícones de arquivo. O conjunto de denim com estampa de poá nasceu da vontade de Baque, quando criança, de ter uma camisa de bolinhas, enquanto o anorak verde é uma homenagem direta à peça que ele costumava “roubar” de sua irmã, sua primeira referência de estilo. O logotipo colaborativo atua como a “Estrela do Norte” da cápsula, unindo a escala global da GAP à alma artesanal da Awake NY sem forçar a estética, permitindo que o fluxo visual entre as duas marcas pareça orgânico.

Essa colaboração organiza o presente ao reafirmar que o verdadeiro valor de uma marca de lifestyle está na sua capacidade de gerar conexão intergeracional. Ao transformar o básico em um artefato de memória coletiva, a GAP e a Awake NY entregam uma coleção que convida o público a honrar suas próprias origens e comunidades. O lançamento global ocorre em 27 de março, posicionando o uniforme democrático americano como a moeda mais forte da cultura urbana atual.

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