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Bangalô Txai transforma sombra e paisagem em arquitetura contemporânea na Bahia

Projetado pelo escritório TETRO Arquitetura, o Bangalô Txai ocupa uma encosta em Itacaré, no litoral sul da Bahia, com vista de quase 180 graus para o oceano. Concluída em 2025, a residência parte da topografia acentuada e da vegetação existente para desenvolver uma arquitetura que privilegia a integração com a paisagem e o controle da luz natural.

A sombra é o elemento central do projeto. Na cobertura da área social, uma estrutura de vidro protege os ambientes, enquanto uma trama inferior de madeira de biriba filtra a luz e projeta desenhos mutáveis sobre pisos e superfícies. O efeito reproduz a experiência de estar sob a copa de um coqueiro, transformando a passagem das horas em parte da atmosfera da casa.

A residência se distribui em quatro volumes implantados em diferentes níveis do terreno. Dois abrigam as suítes de hóspedes, com dois quartos cada, enquanto a suíte principal ocupa um bloco isolado na parte mais alta. O volume central reúne estar, jantar, espaço gourmet e piscina. Entre essas áreas, decks orgânicos, escadas e caminhos ajardinados conduzem os deslocamentos ao ar livre, fazendo da própria paisagem parte da circulação.

A inclinação do terreno permite orientar os principais ambientes para o mar. Na área social, a piscina de borda infinita prolonga visualmente o horizonte e aproxima a tonalidade de sua água à do oceano. Nos blocos dos quartos, lajes ajardinadas ajudam a reduzir o impacto visual da construção sobre a encosta, reforçando a continuidade entre arquitetura e vegetação.

As paredes angulosas, em um tom terroso levemente rosado, dialogam com o solo, as falésias e os materiais rústicos da região. A geometria irregular evita uma reprodução literal da arquitetura local e estabelece uma linguagem contemporânea, na qual abrigo, sombra e natureza orientam as decisões de projeto.

Com fotografias de Lupércio Fotografia, o Bangalô Txai evidencia uma abordagem arquitetônica que parte das condições específicas do lugar. Em vez de se impor à encosta, a residência organiza seus volumes para acompanhar o relevo, enquadrar o oceano e explorar a luz filtrada pela vegetação.

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